Cirurgia bariátrica e avaliação psicológica.

A obesidade é uma doença crônica, de origem multifatorial e difícil controle por envolver difere...


A obesidade é uma doença crônica, de origem multifatorial e difícil controle por envolver diferentes aspectos do indivíduo, o que requer o olhar de diferentes profissionais de saúde, tais como: clínico geral, endocrinologista, nutricionista, psicólogo, educador físico, entre outros, que devem trabalhar de maneira conjunta a fim de    potencializar    no    indivíduo habilidades e condições não só de orientações nutricionais e de intervenção clínica, como também, de atividade física adequada e de suporte psicológico para o controle, prevenção e promoção da saúde do indivíduo obeso.
Quando muitos tratamentos para a obesidade sob abordagem interdisciplinar já foram tentados sem sucesso, e quando o risco de vida impera mediante complicações causadas pela própria obesidade, intervenções severas se fazem necessárias.

A cirurgia bariátrica é a intervenção mais invasiva para o tratamento da obesidade. Opção utilizada quando o risco da cirurgia é menor diante da gravidade do quadro de saúde global do indivíduo. A avaliação deste procedimento é complexo e requer a participação de toda a equipe de saúde. 

No Brasil o procedimento é norteado conforme a portaria nº 492 de 31/08/2007 que traça diretrizes com regras para inclusão, condicionalidades e norteia o procedimento cirúrgico em fases.

*critérios para a inclusão: possuir o índice de massa corporal (IMC) entre 35 e 39,9 se portadores de doenças crônicas causadas pela obesidade ou possuir o (IMC) maior ou igual a 40,0; possuir resposta desfavorável ao emagrecimento após acompanhamento por profissionais de saúde por período mínimo de dois anos consecutivos.

*critérios de condicionalidade: possuir de 18 a 65 anos - a idade máxima sofreu altereção, sendo o que vai determinar a indicação do procedimento não será a idade limite, mas a avaliação clínica (risco-benefício), podendo ultrapassar o limite atualmente estabelecido - possuir capacidade intelectual preservada para compreender todos os aspectos do tratamento e dispor de suporte familiar constante principalmente no segmento do pós-operatório; não deve apresentar dependência química a drogas lícitas ou ilícitas; exclusão dos casos de obesidade provenientes de doenças endócrinas.

A portaria 492 de 2007 divide o procedimento cirúrgico em três grandes blocos, são eles: o preparo pré-operatório composto da fase inicial, fase secundária e fase terciária; o procedimento cirúrgico; e o acompanhamento pós-operatório.

Compete a Psicologia a avaliação psicológica para a cirurgia bariátrica no pré-operatório, durante a fase inicial. A avaliação resume-se a uma investigação minuciosa e criteriosa quanto a: anamnese e expectativas quanto à cirurgia; aplicação de testes psicológicos para verificar a estrutura de personalidade do paciente, para a investigação quanto a comportamentos depressivos, de compulsão alimentar, de distúrbios na auto imagem, do uso abusivo de substâncias lícitas ou ilícitas, preservação do intelecto; dentre outros aspectos subjetivos ligados ao sujeito e aos conflitos pessoais levados ao psicólogo.

É importante constar na avaliação psicológica a anamnese, a realização de um psicodiagnóstico com testes psicológicos e escalas padronizadas para uso nacional, a entrevista com a família, a análise qualitativa e quantitativa dos testes aplicados no paciente, e por último, a devolutiva do resultado ao paciente, seja positivo ou negativo. O resultado deve ser comunicado também por escrito, que é o laudo psicológico, sendo que uma via deve estar aos cuidados dos demais profissionais da equipe de saúde. Todas estas intervenções psicológicas descritas acima ocorrem em torno de seis a oito consultas.

Muitos estudos recentes questionam quanto a possibilidade da cirurgia causar depressão, por exemplo, dentre outros transtornos, porém, com uma avaliação psicológica minuciosa e bem realizada é possível detectar se estes transtornos já existiam antes da cirurgia, por exemplo. Assim, é necessário afinar as significações de doença e tratamento para a compreensão das reais necessidades do paciente quando este, por sua vez, traz o desejo da cirurgia bariátrica.

Cabe ressaltar que o acompanhamento psicológico, ou seja, a psicoterapia, só será realizada se o paciente expressar o desejo para tal. Ter identificado a necessidade de acompanhamento psicológico e ter recebido o parecer negativo à cirurgia bariátrica não obriga o candidato a iniciar a psicoterapia se não for do seu interesse.

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