O exercício da paternidade

Para falar sobre paternidade e contextualizá-la no sistema familiar é imprescindível, assim como tudo na Psicologia, olhar o passado é fund...

Para falar sobre paternidade e contextualizá-la no sistema familiar é imprescindível, assim como tudo na Psicologia, olhar o passado é fundamental para buscar a compreensão do agora. Convido a você a um breve resgate de fatos marcantes para melhor compreensão das modificações sociohistóricas do exercício da paternidade em nossa sociedade.

Imagino que muitos de nós deva ter ao menos uma foto neste estilo em um álbum de família. Observem o posicionamento do homem na foto, no centro ao lado de sua companheira e dos frutos deste relacionamento ao redor. E não é à toa, a figura do homem no passado sempre ocupava uma posição de destaque, no modelo familiar patriarcal em que o patriarcal é o chefe da família, responsável por cuidar dos negócios e defender a honra da família, os filhos e a mulher eram frequentemente amedrontados com exceção do filho varão mais velho que recebia inúmeras regalias perante aos demais. Composta pelo patriarca, mulher, filhos, genros, noras e netos. Este modelo é rompido pela influência árabe aos portugueses na Europa, e chega ao Brasil em torno de 1808 com a corte portuguesa em que o homem tira a mulher de casa para construir sua família em outro domicílio, este é o modelo familiar nuclear que traz a divisão das tarefas do homem e mulher dentro da família.

Com a chegada das indústrias as mulheres passaram a desenvolver funções remuneradas combinadas ao trabalho doméstico, já a paternidade estava centrada em prover à família recursos para gerenciar com autoridade no lar e formar os filhos para se tornarem cidadãos honestos e honrados para servir a sociedade. 


O marco da família nuclear para a família moderna vem com o controle da natalidade, o anticoncepcional que atribui à mulher um forte poder de decisão junto a consolidação de sua participação no mercado de trabalho.

A igualdade passou a ser assim, um pressuposto em muitas relações, haja vista o crescente número de separações dando a consagração de uma família pluralista com filhos de produção independentes, homossexuais adotando filhos apresentando uma série de novas configurações. O resultado desta imposição feminista não podia ser diferente, o homem tinha que participar mais da educação dos filhos, conversando e estreitando os laços nestas relações.


 
O ideal de pai foi se modificando e hoje, compreende diversos aspectos na diferenciação entre mãe e filho, limite, autoridade, transmissão de afeto e segurança, referência de masculinidade, ser um modelo de relacionamento de casal para os filhos. 

A família é um grande sistema, atuar dentro dela como pai sendo presente e estando presente é, e sempre será mediante a própria subjetividade, de acordo com as experiências prévias, ou seja, lembranças de nossos próprios pais enquanto éramos apenas filhos.

Quantas vezes um pai se comporta tal como o próprio pai? Se o saldo desta experiência foi positivo ou negativo é algo muito particular, hoje enquanto pai há a clareza de que eles fizeram o melhor que puderam para deixar de herança um bom exemplo, ou se o resultado desta experiência tem um saldo negativo, de certo, há um anti modelo a ser seguido, e aí mora um grande desafio, fazer o diferente. Romper com padrões de comportamentos, buscar se distanciar das próprias referências para criar e recriar algo novo, em que o coração e a consciência darão vazão a atitudes e comportamentos guiados pelo bom senso e a ousadia de tentar fazer simplesmente o seu melhor também.

É comum que no sistema familiar alguém manipule, induza a culpa e surjam outras situações de desequilíbrio, é necessário que haja flexibilidade para readaptações, clareza nas razões quando criadas as exceções pois elas geram desequilíbrios maiores.

O vídeo a seguir retrata uma família nuclear, em que o diálogo e as diferentes gerações se chocam, observe o pai rígido que exige do filho outra postura. O pai não cria espaço para o diálogo com o filho, parecem que vivem em mundos totalmente diferentes e este distanciamento cresce ao ponto do filho sair de casa.  O pai não participa, não demonstra interesse em conhecer tudo aquilo que cerca seu próprio filho e só consegue enxergar que boa parte do tempo de seu filho é ocioso. Apenas com o acidente, a dificuldade os aproxima novamente. 



É muito fácil observamos os defeitos das pessoas que convivem conosco diariamente e por afinidade nos distanciarmos destas, no entanto o diálogo traz a possibilidade de escuta e reflexão pois a expectativa quanto a postura do outro certamente se confrontará com a realidade.

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