Síndrome de Asperger

A Síndrome de Asperger é uma variedade "alto funcionamento" do autismo. Diferente do autismo, a Síndrome de Asperger não inclui o atraso ou retardo global no desenvolvimento cognitivo ou de linguagem em seu quadro.

O termo “síndrome de Asperger” foi utilizado pela primeira vez por Lorna Wing em 1981 em um jornal médico, que pretendia desta forma honrar Hans Asperger, um psiquiatra e pediatra austríaco cujo trabalho não foi reconhecido em 1944 .

Nesta Síndrome, há dificuldade para expressar-se, mas não há ausência de sentimento. O modo de expressar-se e lidar com o afeto tem suas particularidades. Quanto antes diagnosticado melhor, pois aumenta a possibilidade de trabalhar a disposição do indivíduo para com a interação social e seu limiar à frustração. Assim, uma criança com a síndrome poderá melhor apreender e vivenciar as regras de convívio social e transpor limitações, minimizando as resistências para buscar uma vida saudável.

A prevalência é mais comum em meninos do que em meninas, em geral, a síndrome de Asperger ocorre em 3 pessoas para cada 10.000 (FOMBONNE, 2003, 2005).

A síndrome é caracterizada como um quadro de fatores comportamentais e outros, segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais DSM-IV-TR (APA, 2002), segue abaixo alguns destes fatores:

- déficit significativo para reciprocidade social ou emocionanal;
- habilidades intelectuais preservadas;
- interesses restritos;
- linguagem prolixa acentuadamente pedante, formal e não usual;
- sinais de tédio constante,
- pressa para deixar o ambiente e necessidade de privacidade;
- uso de múltiplos comportamentos não-verbais tais como contacto visual direto, expressão facial, posturas corporais e gestos para regular a interação social;
- limitação para criar relacionamentos apropriados, ao nível do seu desenvolvimento, com seus pares;
- ausência de tentativa espontânea de partilhar prazer, interesses ou realizações com outras pessoas.


Na escola o desafio aumenta, pois com os fatores descritos acima e, a baixa tolerância à frustração da criança com esta síndrome, proporciona maior vulnerabilidade emocional e dificuldade no relacionamento interpessoal. Porém, a inteligência e memória acima da média porporcionam o bom desenvolvimento da aprendizagem.

As relações são facilitadas quando o professor desempenha o papel de mediador, identificando o tema de maiores interesses e fixações da criança com SA. Assim, a integração a longo prazo é muito positiva além de ampliar o repertório de interesses.

As mudanças constantes de professores podem dificultar em muito a adaptação da criança com SA, e assim, contribuir para a compreensão de um ambiente imprevisível e não seguro. Há necessidade de rotina, pois o funcionamento psíquico destas crianças, de modo geral, é muito rígido, e tão logo é necessário que elas saibam o que as espera em um primeiro momento. Em um segundo momento, já vinculadas ao professor, com cautela, é necessário afastar o temor pelo desconhecido.

A orientação psicológica à escola e ao grupo de profesores, por vezes se faz necessária quando um caso chega ao atendimento clínico no consultório. Olhar o paciente como um todo, estimular e propiciar o seu desenvolvimento é uma responsabilidade ética, profissional e social (escola, família, comunidade, etc.), o fortalecimento de uma rede de apoio, sob a mesma linguagem e o consenso da compreensão sobre cada criança com a síndrome de asperger e suas particularidades é fundamental.

Segue abaixo um trecho do filme "Mary e Max" o qual recomendo apenas para pais e professores. O filme abarca questões da síndrome, do alcolismo, do pré-conceito sobre obesidade, cleptomania, diferenças religiosas e muito mais.

Mary e Max  




FOMBONNE, E. Epidemiological Surveys of Autism and Other Pervasive Developmental
Disorders: An Update. Journal of Autism and Developmental Disorders, v. 33, n. 4, p. 365-
382, 2003.