Mania de cutucar escoriação psicogênica


Quem nunca espremeu ou cutucou a pele por uma espinha, que atire a primeira pedra! Apertar-se é um comportamento muito comum com início já na puberdade, afinal os hormônios em constante oscilação propiciam muitas modificações fisiológicas, inclusive espinhas e outras irregularidades na pele. Mas qual é o momento de parar de se apertar?


Se não há um limite e você quer sempre um pouquinho mais, vale a pena entender melhor este comportamento impulsivo, a ponto de provocar lesões na pele em diferentes partes do corpo chamado de escoriação psicogênica e não mais escoriação neurótica, também conhecido como Skin Picking, a mania de se cutucar. O comportamento é considerado patológico quando se torna habitual ou crônico trazendo sentimento de vergonha, disfunção ou prejuízo social, como por exemplo deixar de ir à praia em razão as feridas e manchas espalhadas em toda a pele.

Passar um tempão no banheiro a ponto de perder a noção do tempo e quando se dá conta, lá se foi quase uma hora ou muito mais. Cutucar a pele com uma conduta auto-lesiva, quer dizer, há uma repetição no ato de tocar, cutucar, perfurar, coçar, arranhar ou escoriar a pele. Pode utilizar-se além dos dedos, alfinetes, facas, clipes e lâminas, causando muitas vezes lesões notáveis com infecções secundárias ou cicatrizes profundas de modo intensivo e repetitivo, ocasionando o aparecimento de feridas leves e profundas, cicatrizes e descolorações na pele.

A maior parte dos indivíduos acometidos é do gênero feminino, a estimativa populacional ainda é desconhecida, sabe-se porém que 2% de pacientes que frequentam clínicas dermatológicas sofrem da escoriação nerurótica. Segundo Azambuja (2009) as escoriações decorrem para aliviar o estresse não de uma neurose, mas de um processo mental particular cuja energia é desviada para um gesto impulsivo e repetitivo de esfregar, coçar, arranhar ou arrancar a pele. Para Martelli (2008), a escoriação é caracteriza pelo impulso autoprovocado das lesões, sendo essa a chave do diagnóstico diferencial entre esse comportamento e a doença de pele, dermatite factícia.

Situações que causam o aumento de tensão, ansiedade, pensamentos de autocrítica, tristezas, momentos ociosos, ou o puro prazer em se cutucar motivam a pessoa começar e não saber ao certo a hora de parar em se espremer e a procurar por imperfeições na pele de modo repetido e frequente. Inconscientemente, a emoção passa a ocupar na pele, uma expressão física, as marcas registram as experiências vividas ali em forma de cicatrizes. Para os autores, as autolesões marcam o espaço de uma ferida física e também psíquica, tornando a ferida a totalidade física e emocional, pois no momento em que agride a pele libera a tensão presente no ato, diferentemente de uma doença de pele isolada.

O tratamento inclui avaliação de dermatologista e acompanhamento psicológico através da psicoterapia. Para melhor direcionamento e intervenções psicoterápicas, deve-se aprofundar na compreensão do sofrimento psíquico, considerando seus aspectos de personalidade, seu estado de consciência e aceitação de seu quadro patológico.

Os pacientes com escoriação psicogênica assumem que lesionam a própria pele. Este reconhecimento favorece a inserção desses pacientes em atendimentos psicoterápicos de diferentes modalidades, incluindo a obtenção de possíveis benefícios com a psicoterapia breve em razão da queixa focada para este problema específico.

É comum quando nos sentimos angustiados e ociosos na infância buscarmos contato físico, colo, carinho. O toque, a curiosidade e a exploração sobre o próprio corpo é comum com o início das espinhas, mas ao perceber a consequência de apertar e machucar a pele também é comum abandonar esta exploração. Se não há este abandono é o início de movimento de se machucar e lesar a pela.

A questão é que se registrou um comportamento de lesa e machuca como algo prazeroso, uma espécie de sadomasoquismo. Caso se deseje interromper este comportamento é importante entender o que desperta o início do impulso, que sentimento/vivência/momento ocorre e compartilhar isto com o psicoterapêuta, na intenção de engrenar uma auto consciência de si para criar estratégias junto ao psicólogo (na abrodagem cognitivo comportamental) para intervir, reduzir e até parar de você se cutucar.

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Martelli,A.C. Ipele [online]. 2006.Dermatoses psiquiátricas.São Josédo Rio Preto: [update 2006 utubro 11; citado 2008 maio 13]. Disponívelem:http:// www.ipele.com.br/livro/capítulo. Acesso em: 13/09/2013.