Síndrome de Burnout x Pandemia

Trabalhar em meio a pandemia é adaptar-se a inúmeras e constantes demandas no trabalho e vida pessoal. Impactos que ocasionam sobrecarga, insegurança, além da instabilidade no contexto social de mercado x aumento de cobranças de produtividade, que resultam em: ineficácia, insatisfações pessoais e profissionais, dificuldades para dormir e por fim, a exaustão emocional. Depois de UM ANO nesta condição, ressalto que seja esperado e compreensível que todos os trabalhadores brasileiros estejam esgotados quanto ao planejamento, rotina ou execução de trabalho.

Enquanto muitos profissionais foram "convidados" a trabalhar em home office para achatar a curva, outros permaneceram na linha de frente de serviços essenciais: de saúde, de reabastecimento de suprimentos e na segurança. Em meio a malabarismos pessoais quanto a filho(s), também em aulas on-line ou em casa, na difícil tarefa de ter à disposição condições adequadas em termos de estrutura, equipamentos e treinamento/know-how frente às novas necessidades.

Todos estão submetidos a condição de anormalidade e de exaustão, semelhante ao que em tempos normais poderia ser categorizado como Síndrome de Burnout, cujas características são: agressividade, apatia, desesperança, humor deprimido, irritabilidade, dificuldade para dormir, falhas de memória, dificuldade de concentração, falta de apetite, dores musculares, isolamento, pessimismo, baixa autoestima, perda de prazer – por comidas ou atividades que antes gostava de praticar, momentos com a família dentre outros.

Logo, práticas para deixar de comer açúcar, praticar ho’oponopono às 05 da manhã ou abandonar o trabalho... são receitas genéricas e vazias que a Internet se encarrega de propagar... As limitações são reais, não basta ter pensamento positivo (que individualiza e culpabiliza um problema coletivo), é primordial pensar de modo realístico.

Refletir sobre o que é importante para si demanda inicialmente desacelerar para debruçar-se na identificação de demandas e fragilidades internas, possíveis de serem amenizadas ou modificadas diante do contexto atual. Pois em meio ao caos atual da pandemia, muitas questões fogem, momentaneamente, da possibilidade de mudança. Então, caso, você perceba que já está no seu limite, respeite-se e busque ajuda se necessário for. Saúde mental é um investimento e não frescura.