Anorexia Nervosa

A recusa intencional em se alimentar é induzida e mantida com grande restrição de alimentos, não há uma verdadeira perda de apetite,  ma...

A recusa intencional em se alimentar é induzida e mantida com grande restrição de alimentos, não há uma verdadeira perda de apetite,  mas sim, vasto sentimento de culpa ou depreciação após alimentação.

Pacientes com anorexia entendem serem tratados com indiferença, e de fato frequentemente o são, tendo seus problemas subjugados como banais por familiares e amigos, o que tende a reforçar o isolamento e a se fecharem em um mundo paralelo, em que a dor e a culpa reinam soberanos. Os transtornos alimentares são mais comuns do que podemos supor. A maioria das meninas sofrem caladas e põem para fora seus anseios e neuroses quando vomitam.


Uma enorme sensação de angústia e sintomas depressivos em diferentes níveis e um vazio afetivo nutrem as relações sociais com excesso de agressividade, negativismo, perfeccionismo e mau humor. Quando se come tão pouco há um psiquismo que pouco elabora a nível de maturidade afetiva. Um corpo que expõe o sinistro, que denuncia a dor com mistério e estranheza ao seu redor. Corpo franzino, um cabelo ralo, pele seca, uma violência do auto ataque.

 
 

A anorexia nervosa pode estar associada a depressão, irritabilidade, comportamentos ritualísticos em relação a comida e corpo, assim como a outros comportamentos obsessivos e/ou compulsivos. O indivíduo pode ter baixa tolerância a suportar mudanças. Pode estar muito preso (dependente) a familiares, podendo vivenciar internamente medo de crescer e assumir responsabilidades de uma vida adulta.  A dieta pode representar tentativas de lidar com o novo momento da vida, como por exemplo a adolescência ou a vida adulta.



Segundo o jornal  internacional  de Psicanálise (LAWREW, M. 1998. Morrer de amor: anorexia e seus objetos internos  in International Journal of Psychoanalysis, 32, London: Hogarth Press, 2010)  o  transtorno da  anorexia nervosa, de  20% das vítimas acometidas só um terço chega a se recuperar totalmente. Na Inglaterra, 1 em cada 100 adolescentes é anoréxica, sendo 97,4% mulheres e 10% necessitam de internação hospitalar, destas, poucas sobrevivem, as demais, acabam morrendo por inanição ou complicações orgânicas.

A pressão cultural para emagrecer existe, normalmente desde zombarias da infância na escola à comentários maldosos entre familiares, em que a preocupação excessiva com o corpo e o medo surreal de engordar, ansiedade marcante e alterações na percepção da imagem corporal, culminam na falta de preocupação rumo ao emagrecimento desenfreado. 

Tal restrição pode desencadear uma reação em cadeia de diferentes complicações fisiológicas em razão de modificações endócrinas e metabólicas.

O tratamento da anorexia requer acompanhamento nutricional psicológico e psiquiátrico na intenção de potencializar condições e melhores estratégias levando em consideração as particularidades de cada caso.

O poema abaixo retrata a expressão de estar preso a um corpo que delimita atividades desejantes, muitas vezes anorexia acomete de modo que estar deitado o dia todo é uma necessidade pela fraqueza do corpo.

Poema: As contradições do corpo, de Carlos Drummond de Andrade.
Meu corpo não é meu corpo,
é ilusão de outro ser.
Sabe a arte de esconder-me
e é de tal modo sagaz
que a mim de mim ele oculta.

Meu corpo, não meu agente,
meu envelope selado,
meu revólver de assustar,
tornou-se meu carcereiro,
me sabe mais que me sei.

Meu corpo apaga a lembrança
que eu tinha de minha mente.
Inocula-me seu patos,
me ataca, fere e condena
por crimes não cometidos.

O seu ardil mais diabólico
está em fazer-se doente.
Joga-me o peso dos males
que ele tece a cada instante
e me passa em revulsão.

(...)

Meu prazer mais refinado,
não sou eu quem vai senti-lo.
É ele por mim, rapace,
e dá mastigados restos
à minha fome absoluta.

Se tento dele afastar-me,
por abstração ignorá-lo,
volta a mim, com todo o peso
de sua carne poluída,
seu tédio, seu desconforto.

(...)
_________________
Novos poemas, Rio de Janeiro: Record, 9ª. Ed, 1986.




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