Função do desejo

Como se conectar com o próprio desejo? O desânimo da carne não parece ser tanto do trabalho acumulado que nunca cessa, rotina de obrigações e compromissos, uma fadiga da monotonia automatizada da vida moderna. É possível não ter reconhecimento do próprio desejo? Um cotidiano de rotina vazia de sonhos, que rouba o brilho da vida, viver na falta de desejos, sem sonhos.  

O homem é um ser incompleto que caminha sempre na busca incessante do movimento dialético de se completar. Somos seres subjetivos que aprendemos no seio da família formas peculiares de afetividade e/ou repugnação para domesticar os próprios instintos e/ou de dar vazão a eles.  


Somos movidos por vazios e carências, desejos e curiosidades, localizados e contextualizados no tempo e no espaço em uma construção sócio histórica. Conhecer e explorar a si mesmo é revisitar memórias, que por vezes podem ser dolorosas, por isso é tão importante a presença do psicólogo e da psicoterapia, que traz o embasamento científico para um processo íntimo de análise. 


Análise é construir o sujeito que impera diante de novos repertórios e desconstruir antigos desejos, paradigmas geracionais e transgeracionais, construídos na relação familiar, que nos são arraigados culturalmente. 


Um desejo desencadeia um circuito de desejos que foram desejados, um desejo se entrelaça a outro. Conhecer os próprios desejos, talvez seja, saber deparar-se com as próprias escrotidões e limitações atravessadas pela fantasia, mas na medida em que fantasia e realidade se acasalam e se aproximam há o perigo na consistência do objeto, pode-se angustiar mais, pode-se fazer um ou mais sintoma(s). O importante não é a realização do desejo, mas como você se coloca como sujeito para esta história, para o seu desejo. Conhecer/REconhecer e admitir quais os desejos atuais lhe representam e te fazem desapegar dos desejos antigos atravessados por outras realizações em meios de sublimação. 


Para Freud, o desejo é um movimento em direção ao registro de prazer, à marca psíquica cravada na experiência de satisfação primária que acalmou uma necessidade; Wunsch (em alemão) segundo Freud é o desejo que se realiza na projeção de futuro e também define como “Trieb” desejo como força de pulsão que caminha em determinada direção a algo, a causa, o objeto da marca psíquica. 


O que há em mim que me faz produzir este desejo? De que forma as demandas da vida me absorvem a ponto de eu me perder em mim! Sim, pode-se haver muitos desejos, mas onde eu me situo? O que eu penso? Qual minha posição em relação ao meu desejo? O que estou fazendo da minha vida? Questionamentos que deveriam fazer parte do dia a dia, e não apenas quando adversidades da vida nos aplicam um golpe, como quando da perda de um ente querido. 

Discurso envolve troca, falar e refletir. Mas o que eu faço da vida? Vida de trabalho para casa e de casa para o trabalho, essa é a vida?  


Falar de desejos e sonhos não é falar de uma paixão, não falo de um ser amado (seria reduzir muito a grandiosidade das ambições humanas), mas falar de desejo é falar de muitos outros desejos condensados, capaz de nos impulsionar nas próprias realizações pessoais, uma força motriz de resgatar sentido, a fim de fortalecer nossa existência para recheá-la de entusiasmo e prazeres. Cultivar questionamentos em autoanálise são meios de fortalecer posicionamentos perante aos desejos, de vivê-los e abraçá-los em si, na decisão consciente do próprio movimento, o próprio sentido pela vida, a razão que provoca a alegria e a felicidade que vem do seu interior na tranquilidade da resposta e da decisão.


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Psicóloga Carla Ribeiro CRP-SP 86203

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