Masculinidade

Simone de Beauvoir afirma que a mulher não nasce mulher, torna-se mulher. O mesmo pode ser dito em relação ao homem. Na perspectiva do senso comum, masculinidade é frequentemente associada a características de dominação, competição, agressividade e outros, mas pertencer ao sexo masculino não implica ser detentor de tais características. Essas características são construções sócio-históricas, e podem ser marcantes e presentes nas experiências pessoais e na subjetividade de cada um de nós, mas não é determinante na construção de tornar-se homem.

E aqui, cabe relembrar que a construção destes modelos e conceitos de masculinidade não estão unicamente ligados aos homens, mas também às mulheres, que, sem a devida reflexão, podem vir a reproduzir estes modelos estereotipados pelo senso comum entre pais, companheiros(as), filhos, netos, amigos, entre outros.

Masculino e feminino na cultura oriental são atribuídos a yin e yang. Aqui no ocidental, o masculino e o feminino estão atrelados ao gênero o que causa certa confusão pois ser homem ou ser mulher é preciso escolher ocupar um lugar, nessa condição pobre e binária, que se concretiza à medida em que o eu assume suas preferências impostas socialmente, tão logo no ventre, desde o chá de revelação na cor rosa ou azul, na apresentação e nos comportamentos binários e automáticos, intencionados e até sofisticados pela mídia (roupas, cabelo curto ou longo, brinquedos carrinho ou boneca, brincadeiras e outros). Introjeta-se a construção de homem e mulher buscando cercear em “caixinhas” o que o menino pode e o que não pode. Introjeta-se a construção de masculino e feminino a partir de uma cultura machista.

Historicamente a mulher assume forma de estar no mundo pela sua condição higienista e anatômica para reproduzir e o homem com o papel de detentor de produção e construção no mundo externo ao lar. A visão de gênero é uma construção do homem branco europeu que constrói a distinção de papeis sociais, em leis que limitavam o poder civil da mulher, ao lhes impedir o direito a: herança, o controle de títulos ou posses, de votar, e implicitamente, por meio de tradições romantizadas, como “pedir a mão” ao pai da noiva, colocar o sobrenome do homem na mulher, com documento de propriedade chamado certidão de casamento.

Assim, os códigos de comportamento machistas são aprendidos, e os meninos que não apreendem as características machistas, reforçadas como se fossem a única expressão “correta” do masculino, tentam se adequar para serem bons filhos e corresponder ao que a família e a “sociedade” espera, “homem não chora”, “homem é pegador” dentro outros. Outras características, intrinsecamente humanas, foram negadas ao masculino. No sofrimento masculino para tornar-se macho, é vedado sentimentos que o tornem frágil e sensível. Num processo de repressão e castração que vai interferir na sua forma de ser, na autopercepção do homem e na alienação dos próprios sentimentos.

O homem adulto, ao longo da vida sofre novamente para desconstruir este modelo tão arraigado que as relações estabeleceram. Descontruir e atuar na desconstrução do machismo é para a vida toda, um movimento constante de desapegar de um estereótipo viril que não desumanize, que possibilite ser sensível, fomentando o que há de humano no homem. 

Para os homens contemporâneos, inseridos em uma sociedade que questiona e critica os malefícios dessa construção rígida de papéis de gênero, de dominação e superioridade, repensar seu papel e a desconstrução das masculinidades estereotipadas é um trabalho constante e imprescindível. Um trabalho não só de combate ao machismo e sexismo, mas, intimamente, de auto valoração e contato com sua subjetividade, seus sentimentos, na construção de modelos próprios e flexíveis de masculino, através dos quais busca-se uma vivência mais plena da experiência humana.

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Psicóloga Carla Ribeiro CRP-SP 86203

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